Enquanto Brasil e Estados Unidos negociam a redução das tarifas de importação, empresas como a Friga, marca brasileira de moda, buscam alternativas para manter o crescimento e a presença no mercado americano

 

As negociações entre Brasil e Estados Unidos para reduzir as tarifas impostas a produtos brasileiros voltaram a movimentar o noticiário econômico nas últimas semanas. Desde agosto, a taxação sobre bens exportados ao mercado americano subiu para 50%, afetando diretamente empresas com operação nos dois países. O impasse abriu espaço para um cenário de cautela — e também de estratégia — entre empresários brasileiros que buscam manter competitividade no exterior.

É o caso da Friga, marca de moda feminina fundada por Gisele Gomes, que mantém uma estrutura de distribuição nos Estados Unidos e vem sentindo de perto os efeitos da nova tarifa. Com faturamento de R$ 15 milhões em 2024 e previsão de crescimento de 30% neste ano, a empresa conseguiu atravessar o impacto inicial graças a um estoque de mais de 6 mil peças já enviadas aos EUA antes do aumento tarifário.

“Esse planejamento foi decisivo para manter a estabilidade das vendas neste período. Levamos estoque para seis meses e, se a situação perdurar, iremos avaliar se faz sentido rever os valores ou realmente buscar fornecedores locais ou em outros países que tenham menor tarifa e que o custo final venha valer a pena”, afirma Gisele.

Segundo a empresária, o momento exige flexibilidade e visão estratégica: “A lição é estar sempre atento à diversidade de fornecedores, pois essas questões econômicas e políticas podem acontecer. Empresas que exportam precisam estar preparadas para se adaptar rapidamente, repensando rotas logísticas e parcerias locais.”

O governo brasileiro vem negociando com Washington uma redução de 40% na tarifa, o que, se concretizado, traria alívio parcial ao setor exportador. Até lá, empreendedores que atuam entre os dois países seguem ajustando planos e avaliando alternativas para reduzir custos.

Apesar das incertezas causadas pelo tarifaço, Gisele vê o momento como oportunidade de amadurecimento do negócio e fortalecimento das operações internacionais. “Cada instabilidade traz uma lição. O importante é manter propósito e consistência, sem perder o olhar humano que sempre guiou a Friga”, completa.

Enquanto as negociações entre Brasil e Estados Unidos continuam, empresas brasileiras com presença no mercado americano que ainda importam produtos do Brasil seguem em compasso de espera, entre a esperança de um acordo e a necessidade de ajustes imediatos para manter a competitividade.


atualizado em 16/10/2025 - 10:55

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